Trágica é a obra de Tomás Espina. Sua série de escuros desenhos encontra referências em Goya, no ocultismo e na alquimia. Para Espina, \"essa série tem algo de correspondente dentro de um campo de batalha e em um estado de total alteração dos sentidos\". Essa obra interessa por seu caráter de denúncia e de exposição de uma violência que bem poderia ilustrar a metáfora do grito que pontua um dos pólos de investigação desta 7ª Bienal.
Delcy Morelos explora os sistemas e interstícios de seu próprio corpo para traduzir visualmente sua ordem e sua organicidade. As tramas e a paleta escolhida sugerem tanto a visão de um mundo interior, orgânico, físico, organizado, como uma cosmogonia externa que se refere às redes de relações humanas - que tantas vezes atravessam a violência e a dor.
\"Uma experiência sobre a psychologia das multidões da qual resultou sério distúrbio.Domingo, às 15 horas, quando desfilava pelas ruas do centro da cidade a procissão de ´Corpus Christi´, um rapaz muito bem posto que se achava na esquina da rua Direita e praça do Patriarcha, não se descobriu conservando ostensivamente seu chapéu na cabeca. Os crentes, que acompanhavam o cortejo, revoltaram-se con essa atitude e exigiram em altos brados que ele se descobrisse. Ele, no entanto, sorrindo para a turba, não tirou o chapéu, embora o clamor da multidão já se tivesse transformado em franca ameaça. Foi então que inúmeros populares tentaram linchá-lo. Investindo contra ele. O rapaz pôs-se em fuga, ocultando-se na Leiteria Campo Bello, situada a rua de São Bento, até onde foi perseguido pelos mais exaltados. (...) Nas suas declarações, disse que, há tempos, se vem dedicando a estudos sobre a psychologia das multidões e tem mesmo alguns trabalhos inéditos sobre a matéria. Para melhor orientação do seus estudos, resolvera fazer uma experiência sobre ´a capacidade agressiva de uma massa religiosa à resistencia da força das leis civis, ou determinar se a força da crença é maior do que a força da lei e do respeito à vida humana´. (...) Terminou suas declarações dizendo que não visava ofender a religião do povo, pois esperava de fato que se verificasse tal reação.\" - O Estado de São Paulo, 9/junho/1931