La morfología del paisaje determina sus vistas [A morfologia da paisagem determina suas visões]. 2011. Lápis sobre papel. 29 x 21 cm.
Córdoba, Argentina, 1974. Vive em Amsterdã, Holanda.
Seu trabalho de desenho frente a uma paisagem é lento, silencioso como sua projeção gráfica, e resulta de um processo prolongado de observação e quase de comunhão frente à natureza. Tem realizado registros sensíveis, por assim dizer, de paisagens agrestes e distantes de sua base de trabalho, seja em Ushuaia, no extremo meridional da América do Sul, seja na Espanha e no Havaí. Seus desenhos se acompanham, em alguns casos, de verdadeiros diários de viagem e observação. Sua produção tem algo de um diálogo com a tradição delicada da apreensão da natureza desconhecida, como em trabalhos de viajantes do século XIX. Observar os canyons e fazer os desenhos in situ é fundamental para esta artista. Assim, segundo ela, seu trabalho se desenvolve a partir “da apreensão e do entendimento da paisagem, através de sua observação direta da mesma. Por essa mesma razão é fundamental para mim começar o projeto desde ali, desde esse ‘estar’ na paisagem através do desenho”.
Diante dos canyons da região da Serra Geral, tanto Itaimbezinho como Fortaleza, Irene absorve a visualidade apreendida num desenrolar lento, em desenhos cuidados (porém, dotados de forte temperamento). São dezenas de registros, como diários de diversos ângulos, frente a esses aspectos naturais sob condições atmosféricas semoventes e instáveis. A ruptura, assim, comparece nas linhas quebradas, a assinalar os dados que a vista alcança. Paralelamente, sua intenção é tentar reproduzir, tridimensionalmente, o espírito da estrutura morfológica das paredes dos acidentes geológicos, com uma instalação que se contrapõe à expressão captada no registro gráfico da superfície bidimensional do papel. Chamou a atenção da artista, durante sua visita aos canyons, que os “miradoures” delimitassem com tanta contundência as “maneiras como nós, como espectadores, podemos nos vincular ao espaço. Essas ‘vistas’ me fizeram pensar nas ideias cenográficas que o olhar cultural contém sobre a paisagem”. E Kopelman indaga: “será que se pode reorganizar esse olhar através do desenho?”.