Inventario. 2006. Still de video HD.
São João, Porto Rico, 1972. Vive em São João.
Beatriz Santiago não realiza documentários de comunidades específicas, embora seu processo comece com a observação e culmine em um vídeo ou em uma instalação de novos meios, aos poucos vamos percebendo que, na realidade, ela vai transitando entre os conflitos sociais e políticos, entre histórias reais e soluções fictícias. Assim, a artista vai montando suas obras com as interações causadas pelas vivências na comunidade e as problemáticas que se manifestam dentro dela. Sua aproximação com uma prática de antropologia visual é compreendida de maneira ampla a partir dessa interação, que se enquadra na proposta de sistemas de comunicação, gerando um mapa de conexões que vai documentando e projetando para sua obra. Desses nexos com a antropologia e a etnografia, ela articula sua obra através de filmagens e experimentos cinematográficos, nos quais as personagens envolvidas são pessoas reais, que, sem roteiro ou estrutura predeterminada, improvisam situações que são fruto de sua interação com a artista. O resultado é uma proposta audiovisual que faz a ficção de micromundos a partir do olhar da artista.
Na viagem à cidade de Caxias do Sul, Santiago buscou se concentrar nos objetos públicos e privados que são resguardados dentro da cidade. Indagou tanto em arquivos, bibliotecas e casas particulares, como com pessoas que protegem esses objetos, as quais foram entrevistadas e registradas com a sua câmera de vídeo. O interesse da artista concentrou-se nas noções políticas por trás dessas ações de proteção. Seu processo foi exibido na Galeria de Arte Centro Cultural Ordovás Filho.