Bocas de ceniza [Bocas de cinza]. 2003/2004. Vídeo transferido para DVD. 18’15”.
Medellín, Colômbia, 1947. Vive em Bogotá, Colômbia.
Após uma extensa carreira como escritor, Echavarría, “afogado em imagens literárias”, decide dedicar-se à arte em meados dos anos 1990. Uma de suas primeiras séries fotográficas, chamada Corte de florero [Corte de vaso] (1997), referenciava formalmente as lâminas botânicas realizadas pelos viajantes científicos europeus na América, mas as flores de Echavarría, de grande beleza e elegância formal, eram realizadas com ossos humanos, estabelecendo uma relação direta entre colonização, segregação e violência. Desde então, o trabalho de Echavarría é centrado em alegorizar a violência política da Colômbia através de seus efeitos no corpo social. Nos últimos anos, Echavarría trabalhou com os chamados, de forma eufemística, “atores do conflito”: jovens ex-guerrilheiros ou ex-paramilitares em programas de reinserção social, dando-lhes a oportunidade de expressarem suas vivências de guerra em forma de pinturas e desenhos, em uma operação de catarse terapêutica que resulta em imagens comoventes.
Bocas de ceniza consiste em uma série de oito vídeos em que diferentes pessoas cantam a capella sua tragédia pessoal. Todos esses homens e mulheres são vítimas da violência e do deslocamento forçado como resultado da guerra interna na Colômbia, que dura já meio século e envolve a guerrilha, o exército e os paramilitares. Nas últimas décadas, essa interminável luta pelo controle do território tem sido financiada pelo dinheiro das drogas; e sua vítima principal é a população civil desarmada. Os cantos pessoais em Bocas de ceniza podem ser vistos como micro-histórias dos esquecidos, que contradizem a história triunfalista expressa nos hinos nacionais.