Artistas / Marcius Galan

Marcius Galan

Legenda da foto aqui Foco. 2004. Impressão offset. Foto: Marcelo Arruda.

Indianápolis, Estados Unidos, 1972. Vive em São Paulo, Brasil.

É recorrente no trabalho de Marcius Galan a presença de ilhas, linhas de demarcação de territórios, arquipélagos e mapas. Entretanto, ao mesmo tempo em que o artista se aproveita de um dado científico, de certa objetividade geográfica, ele ironicamente retira toda a funcionalidade dos mapas. Em muitos casos ele elabora um mapa borgeano de escala 1:1, cúmulo da inutilidade, uma vez que substitui a própria realidade por uma representação dela de tamanho idêntico. Há algo de absurdo nos mapas de Galan, o recorte destacado é desconstruído a ponto de se tornar qualquer lugar ou nenhum lugar, apenas uma representação abstrata e imprecisa das fronteiras. É como se ele revelasse o modo como os artifícios da ciência tendem a se distanciar da realidade e se tornam incompreensíveis. Em uma série de imagens de zonas fronteiriças de conflitos, ampliada tantas vezes, até chegar à escala real, vemos apenas as fibras e a topografia do papel em que foram impressas. Em geral, há em sua obra uma limpeza formal e simplicidade avessa ao discurso. Apesar de certa aparência geometricamente calculada, há uma ênfase no modo como a percepção constrói limites irreais.

Em Uma linha contém infinitos pontos, o artista rompe os limites da moldura cartográfica e projeta elementos por toda a parede. Elaborado com taxinhas típicas de marcações de mapas, o trabalho se desdobra para além da linha que se esboça, numa soma finita de pontos. Embora a obra parta da definição euclidiana e discuta um postulado geométrico, trata-se de refletir sobre uma fronteira ilusória que aos poucos se dispersa.

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