Passaporte do Complexo do Alemão. 2008. 14 x 9 cm. Foto: Vicente de Mello.
São Paulo, Brasil, 1962. Vive em São Paulo.
A obra de Paulo Climachauska trabalha, sobretudo, com a operação de subtração e de retirada. Trata-se, geralmente, de um resultado negativo, de um déficit que vai além da abstração numérica e se aproxima de questões econômicas, sociais e políticas. Em sua trajetória, ele realizou uma série de painéis em que redesenhou imagens por meio de contas de subtração. Diversos símbolos arquitetônicos que definem a nação e seus valores são esvaziados e silenciados pelas operações matemáticas do artista. Há no discurso desses trabalhos uma crítica ao projeto desenvolvimentista brasileiro e à sua arquitetura moderna. Mais do que lidar com a aparência de prédios emblemáticos, interessa ao artista suas implicações políticas e econômicas. O enfraquecimento do Estado-Nação, devido ao poder econômico do capitalismo financeiro e de empresas transnacionais, que pregam a ideia de soma e acumulação, encontra o seu reverso na subtração dos ícones nacionais. A falência da nação surge de modo simbólico e, paradoxalmente, pela construção. Mesmo quando o artista elege a natureza como tema, está implícito no trabalho as consequências e os sentidos políticos, como, por exemplo, o símbolo do poder nas palmeiras imperiais plantadas por Dom Pedro II no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
A série de trabalhos sobre o Complexo do Alemão foi realizada bem antes das recentes ações do Estado, que tentou pacificar alguns dos territórios cariocas sobre os quais não tinha qualquer domínio. A bandeira e o passaporte, além dos desenhos cartográficos dos morros, são modos de compreender que há uma micronação paralela que possui territórios autônomos no interior de uma das maiores cidades do país; como se as favelas do Complexo do Alemão fossem áreas subtraídas do Estado brasileiro.