Aldea Modelo, pequeña historia, 1984 [Aldeia Modelo, pequena história, 1984]. 2006/2011. Madeira, fotografia, vídeo.
Cidade da Guatemala, Guatemala, 1977. Vive na Cidade da Guatemala.
Em várias das suas obras, Yasmín Hage tem se interessado em mostrar as sequelas da guerra de mais de três décadas que assolou a Guatemala, tanto no corpo social como no território. Em Madera-Bala (2005) faz disparos a duas árvores com as armas utilizadas pela guerrilha e pelo exército respectivamente, e logo “desenrola” a árvore mediante o processo industrial de elaboração do compensado (plywood). No processo, aparece na madeira a trajetória de cada projétil: os efeitos do conflito no território são assim expressados em duas linhas paralelas idênticas. Segundo a artista, a “palavra trajetória [...] conota a noção temporal, o passado e o presente da biografia do projétil, digamos uma pequena biografia da guerra, ao mesmo tempo remete ao efeito físico, à pegada, à estampa, à cicatriz, à intervenção, à memória material”. As guerras na América Latina, mesmo tendo fundamentos ideológicos, terminaram sendo lutas fratricidas, em que os combatentes sempre provêm das classes populares.
Em Aldea Modelo, pequeña historia, 1984 [Aldeia Modelo, pequena história, 1984] (2006/2011) Hage reconstrói em escala uma aldeia construída pelo exército da Guatemala para fazer visível a presença do Estado em áreas rurais, substituindo comunidades remotas por povoados planejados como polos de desenvolvimento para tirar a legitimidade e apoio civil às guerrilhas. O trabalho de Hage se apresentou originalmente como um museu local, com os elementos de sinalização próprios dos sítios arqueológicos; posteriormente, foi mostrado como uma instalação de fotos, vídeos e maquetes que se assemelham a livros animados infantis.