Vermelho pungente (para Dona Christina). 2011. Foto: Flávia de Quadros.
Santa Cruz do Sul, Brasil, 1962. Vive em São Paulo, Brasil.
Os trabalhos de Fernando Limberger apresentam-se como paisagens. Articulam vegetação, pedras, formas geométricas e planos de cor em jardins que combinam exuberância e simplicidade, natureza, artifício e racionalidade. Suas composições reconfiguram os ambientes onde se inscrevem, alterando o modo como a natureza os integra ou atravessa, seja pelo uso da cor e dos efeitos de luz provocados, seja pela poda e limpeza das espécies ou, ainda, pela subtração/inserção de novos elementos.
A transformação da natureza por meio da ação humana e o modo como ela também age sobre essa intervenção está presente em boa parte de suas criações. Exemplo disso são as sementeiras, mudas e canteiros de cor do projeto Fértil (2003), que estão na origem dos jardins coloridos, recobertos por areias tingidas de rosa e amarelo – inócuas ao meio ambiente. Assim como eles, os arranjos que compõem as instalações Células Verdes (2008) e Complementares (2010) ostentam uma natureza domesticada, ainda que vigorosa, problematizando as contradições e ambivalências dos discursos ambientalistas que tentam dar conta da complexa relação entre o homem e a natureza.
Questões similares estão colocadas no trabalho desenvolvido para o pátio da Casa M. Em meio a uma vibrante topografia em tons de vermelho, roxo e rosa, dois elementos pontuam a paisagem: um abacateiro e um cubo de madeira queimada. Vida e morte, luz e sombra, natureza e racionalidade são alguns dos binômios evocados pela dupla. Um drama parece se desenhar – enquanto tomamos sol, jogamos conversa fora, compartilhamos um chimarrão ou lemos um livro nesse jardim feito obra.