Sudário. 2007. Still do filme de Carlos Vergara e Gustavo Moura. 11’45”.
Santa Maria, Brasil, 1941. Vive no Rio de Janeiro, Brasil.
Pertencente a uma geração que se inicia nas artes visuais na década de 1960, Vergara tem sua primeira produção marcada por individuais e participações em mostras hoje antológicas, como Opinião 65 e Opinião 66, no Rio de Janeiro. Nesse período, sua figuração sempre foi crítica, baseada, sobretudo, na temática urbana, claramente inspirada no momento social e político vivenciado pelo país. O interesse pela experimentação com materiais novos, como o poliestireno e/ou o acrílico moldados, já caracterizavam sua pintura, ao mesmo tempo em que realizava instalações. A partir da década de 1970, a fotografia ocupa espaço cada vez maior em suas criações, atentas ao fascínio de eventos como o Carnaval; e, aos poucos, monotipias e pinturas combinadas comparecem de maneira constante numa produção que não descarta novas experimentações. Seus deslocamentos com o olhar do viajante sensível e criativo resultam em trabalhos com novos suportes – como o acrílico, o tecido e o vidro –, com pigmentos que oferecem rastros visuais poderosos em que “acaso e intenção caminham irmanados” (Luiz Camillo Osório).
Em seu fascínio pela região das Missões jesuíticas, independente de limitações fronteiriças, Vergara apresenta uma “conversação” entre imagem “magnificada” de peça de pequena dimensão, usualmente oferecida em estradas ou ruas de cidades sulinas e do Paraguai (manufaturadas em madeira balsa com detalhes em pirogravura sobre sua superfície) e monotipias. Estas são realizadas como registros de rastros de um tempo memorial.