Paola Santoscoy, curadora adjunta
Durante os tempos coloniais até o século XIX, continente foi a maneira de se referir à região territorial que hoje é o estado do Rio Grande do Sul. Essa “terra contínua” tem uma história complexa de negociações de território e poderio entre Espanha e Portugal, e se estendia além das atuais fronteiras do Brasil com Argentina, Uruguai e Paraguai. Continentes aproveita a dupla acepção da palavra – a de território e a de algo que “contém outra coisa” – para estabelecer uma rede de vínculos de trabalho e colaboração temporária entre nove espaços independentes de América Latina.
Os projetos autogeridos têm um papel extremamente relevante nas cenas artísticas de cada cidade, ativando relações entre comunidades e possibilitando projetos que muitas vezes não têm espaço dentro das estruturas institucionais e comerciais da arte. Por princípio, essas iniciativas favorecem a experimentação e abrem espaços de questionamento e discussão em torno das práticas artísticas e expositivas.
Continentes baseia-se na seguinte premissa: durante os meses de setembro e outubro, três locais ativos em distintas cidades de Rio Grande do Sul cedem seus espaços a seis outros que vêm de fora e colocam à disposição sua estrutura de trabalho para criar uma situação de colaboração com os convidados. Por sua parte, os visitantes se estabelecem nessas cidades por um período de três semanas, desenvolvendo projetos artísticos, exposições e atividades diversas. As três cidades onde isso será realizado são Porto Alegre, Santa Maria e Caxias do Sul.
Porto Alegre: Atelier Subterrânea recebe ceroinspiración (Quito, Equador) e Diablo Rosso (Cidade de Panamá, Panamá).
Santa Maria: Sala Dobradiça recebe Planta Alta (Assunção, Paraguai) e Batiscafo / Proyecto Circo (Havana, Cuba).
Caxias do Sul: NAVI recebe lugar a dudas (Cali, Colômbia) e a KIOSKO galería (Santa Cruz da Sierra, Bolívia).
Essas são colaborações que se valerão da imediatez que caracteriza a natureza desses espaços, reagindo a um novo contexto para compartilhar estratégias de trabalho e criar uma experiência a partir da convivência e da exploração dessas cidades.
Nesse conjunto de espaços convidados a Continentes é possível elucidar as múltiplas formas que adquirem atualmente esses projetos; todos autogeridos, mas todos com uma individualidade marcada pela cena da qual provém, pelas comunidades artísticas às quais aderem e pelas situações de trabalho que cada um enfrenta.