Pablo Helguera, curador pedagógico
Na 8ª Bienal do Mercosul procura-se uma integração total do projeto pedagógico com o projeto curatorial, buscando-se implementar, de forma tanto prática quanto teórica, os conceitos que inspiram o projeto expositivo.
A premissa curatorial da 8ª Bienal do Mercosul propõe realizar uma reflexão em relação a todos os dispositivos culturais, políticos e sociais que contribuem para formular o imaginário de nação e de metarregião. Partindo do próprio termo “Mercosul”, que caracteriza uma região econômica e, por extensão, esta Bienal, a proposta curatorial procurou questionar: como é construído um país? De que modo a ideia de nação contribui para determinar as formas como nos percebemos e como percebemos o nosso povo em relação aos outros? Que papel os processos artísticos têm na fabricação da iconografia nacional?
Uma vez que as obras desta Bienal e a reflexão curatorial em torno delas estão ligadas à noção de reconstituir o que é um território, o projeto pedagógico também segue uma direção paralela para propor uma revisão do próprio campo da pedagogia na arte. Reconhecemos, assim, que a pedagogia das artes visuais – e, em particular, da forma como ela se aplica em museus e bienais – é uma ação que, tradicionalmente, limita sua potencialidade, tanto no conteúdo como na prática. Em relação ao conteúdo, predomina o ato de ensinar arte para entender a arte e não para entender o mundo; em relação à prática, prevalece o ensino como distribuição de informação e não como gerador de consciência crítica.
Considerando esses aspectos, o componente pedagógico da Bienal propõe a tentativa metafórica de “reterritorializar” – termo utilizado por Deleuze e Guattari para indicar os processos pelos quais se desconstrói uma velha ordem e se estabelece uma nova – o campo da pedagogia no âmbito das artes visuais. Da mesma forma, faz referência ao influente ensaio de Rosalind Krauss, Sculpture in the expanded field [A escultura no campo expandido], no qual é articulada a necessidade da prática artística de quebrar os parâmetros expositivos convencionais. Vários anos depois, foi sugerido que esse campo expandido, “reterritorializado”, da arte, tivesse um caráter social, no qual a pedagogia ocupasse um lugar central como instrumento de comunicação, reflexão e, em termos de Paulo Freire, conscientização
O programa pedagógico inclui as seguintes formas de entender a pedagogia em relação à prática artística atual: