Testando os limites do Google Earth desenhamos um roteiro para um “cine-safári” feito apenas com o movimento da nossa navegação. O itinerário parte do local exato do piquenique concebido por Charles e Ray Eames em Chicago, em seu filme de 1977 “Powers of Ten”, e dali empreendemos uma expedição sempre numa distância vertical de 10 em 10 vezes (como no filme dos Eames), a fim de criar uma narrativa através dos índices de miopia de várias cidades: Chicago, Belo Horizonte, Dubai, Cidade do México, Istambul, Pequim, Paris, Moscou, Londres e Tóquio.
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O Google Earth é um dispositivo de visão que opera na tensão entre duas categorias de olhar: vertical e horizontal. A visão vertical localiza o observador fora do espaço vivido, num ponto muito longe da experiência cotidiana. O mundo é apresentado como um conjunto justaposto e desigual de fragmentos de imagens capturadas do alto, no qual o intervalo entre a altura limite da resolução de cada imagem quando se desce em direção ao solo e a altura aproximada do nosso olho no nível do solo constitui o que chamamos de espaço de miopia, variável para cada lugar visitado. O índice de miopia mede, então, o caráter público do território do Google Earth, uma vez que ele é universalmente acessível porém sempre regido a partir de um lugar privilegiado. Nenhum olhar é neutro, muito menos o olhar dos satélites, de miopias politicamente reguláveis.
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