FAROL SANTANDER

Terça a domingo, das 9h às 19h

Última entrada: 18h

Praça da Alfândega (R. Sete de Setembro, 1028 - Centro Histórico)



ARTISTAS:

Edson Pavoni

Edson Pavoni

São Paulo, Brasil, 1984. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

Pensar na presença da tecnologia em nossa sociedade é central na poética de Edson Pavoni. Partindo de uma interrogação sem resposta – a tecnologia irá nos aproximar ou separar? –, o artista propõe novos imaginários para a ideia de conexão. Essa versão do projeto Templo Orbital se desdobra a partir de perguntas como: e se o céu pudesse ser um lugar para todos? E se pudéssemos imaginar um paraíso alternativo no qual todos os seres sencientes pudessem ter um espaço? O artista convida os visitantes a participarem da obra enviando para o céu, por meio de um site, o nome de alguém já falecido. Pavoni reflete sobre o destino após a morte e, ao mesmo tempo, sobre a exploração e o acesso às tecnologias espaciais. A obra completa é composta pelo lançamento de um satélite capaz de armazenar bilhões de nomes e uma escultura pública que é também antena e se comunica com o satélite. O satélite será enviado ao espaço pelo foguete Falcon9, da SpaceX, em fevereiro de 2023.

Julius von Bismarck

Julius von Bismarck

Breisach am Rhein, Alemanha, 1983. Vive e trabalha em Berlim, Alemanha.

“Irma virá com severidade”, alertava uma manchete de setembro de 2017, pouco antes de o furacão, de categoria cinco, varrer o Caribe e destruir a Flórida. Sua chegada é o tema do filme de Julius von Bismarck, gravado em Nápoles, Flórida, em meio a ventanias e inundações. Em uma tentativa de entender a essência de um furacão para além do espetáculo midiático, as imagens em preto e branco são drasticamente reduzidas, absorvendo chuva e detritos de ruas vazias, carros submersos e casas em desordem. Uma trilha sonora reunida a partir de reportagens é desacelerada para acompanhar o ritmo da imagem em movimento, tornando-se ininteligível. A obra de Bismarck joga com a ambiguidade entre o prazer e a perversidade envolvidos no ato de ver imagens catastróficas ao mesmo tempo em que busca revelar a força devastadora da natureza.

Rafael Lozano-Hemmer

Rafael Lozano-Hemmer

Cidade do México, México, 1967. Vive e trabalha em Montreal, Canadá.

O artista Rafael Lozano-Hemmer trabalha na interseção entre arquitetura e performance, usando diferentes tecnologias e criando plataformas para a participação do público. Ele costuma qualificar seus trabalhos como "incompletos e fora de controle", uma vez que são desenvolvidos a partir da interação dos visitantes. No vídeo Vocal Folds (2019), atores leem fragmentos do Nono Tratado Bridgewater, de Charles Babbage, no qual o autor postula que todas as palavras já ditas permanecem na atmosfera. Já Pulse Topology (2021) é composta por 3 mil lâmpadas que criam uma série de cristas e vales. Cada lâmpada brilha de acordo ao pulso de um participante, que é capturado a partir de um sensor feito sob medida para registrar os batimentos cardíacos do público. A obra Hormonium (2022) ilustra as complexas flutuações dos hormônios, apresentando sequências de ondas oceânicas quebrando e soltando no ar partículas de texto, siglas dos hormônios que são liberados de acordo com os ciclos humanos. Thermal Drift (2022) permite visualizar a dispersão do calor corporal na forma de quanta que fluem para longe do participante. Neste projeto, é utilizada uma câmera térmica para detectar calor e um sistema de partículas para mostrar sua dispersão, enquanto imagens computacionais revelam a fronteira porosa entre o corpo e o ambiente.

Walid Raad

Walid Raad

Chbanieh, Líbano, 1967. Vive e trabalha entre Beirute, Líbano, e Nova York, Estados Unidos.

Integrando o The Atlas Group (1989-2004), o artista desenvolveu obras que partem de encontros de diferentes naturezas que aconteceram no Líbano nos últimos 30 anos. São situações que parecem deixar rastros peculiares e documentos estranhos na forma de fotografias, fitas de vídeo e cadernos. Enquanto procurava e não encontrava esses documentos, Raad passou a produzi-los como forma de reviver as situações e seus protagonistas imaginários. Em Comrade leader, comrade leader, how nice to see you _ I, o artista cria uma instalação inspirada na história das muitas milícias que se formaram durante as guerras libanesas, especialmente a milícia cristã de direita chamada Forças Libanesas, que controlava a região oriental do país. Apoiadas com dinheiro e armas por diferentes patronos, era comum que elas mudassem de lado, uma hora sendo sustentadas pela Síria, outra hora por Israel, em seguida pelo Iraque, retornando ao apoio da Síria e assim sucessivamente. Como forma de prestar homenagem aos seus patronos, integrantes da milícia nomeavam e renomeavam três belas cachoeiras da região com o nome de seus líderes. A obra de Raad faz uma alusão a essa incessante troca de poder, criando uma queda d'água gigante que inunda o espaço ao seu redor.