Na 13ª Bienal, Sidarta Ribeiro fala sobre a evolução dos sonhos



O quarto encontro do seminário Zonas de Contato da 13ª Bienal do Mercosul tem como convidado o neurocientista Sidarta Ribeiro. Com o tema “Sonho e adaptação”, a conversa será realizada no Salão de Eventos do Instituto Ling, no dia 17 de setembro (sábado), às 10h. Organizada pelo Projeto Educativo da Bienal, a atividade é gratuita.


Ribeiro analisará as origens do estado mental do sonho e sua evolução como energia psíquica. As reflexões do pesquisador sobre sono e sonho levam em consideração o contexto de crise social e ambiental enfrentado pelo planeta. “Os mamíferos evoluíram o sonho por cerca de 220 milhões de anos, como um simulador de situações possíveis, capaz de reverberar memórias negativas para formar pesadelos premonitórios, tão ameaçadores quanto eficazes para modificar comportamentos, gerar aprendizado e adaptação”, explica o pesquisador, que é professor titular de Neurociências e um dos fundadores do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

“Durante os sonhos, do oceano de memórias inconscientes, brotam ideias criativas capazes de inferir as probabilidades do futuro, ajudando a navegar o que ainda não foi. Num ambiente marcado pela dura competição por recursos escassos, a evolução do sonho criou uma fonte renovável de energia psíquica adaptativa, proveniente do inconsciente”, completa Ribeiro.

O público participará do encontro por meio de dinâmicas que estimulam os potenciais do corpo. Por isso, recomenda-se o uso de roupas e calçados confortáveis. Os participantes deverão levar suas almofadas, pois o encontro não irá dispor de cadeiras – salvo em casos de necessidade por questões de saúde.

O seminário Zonas de Contato iniciou em julho e se estende até novembro, ao longo de seis encontros, reunindo nomes do cenário nacional e internacional, com distintas formações e experiências, para um diálogo ativo a partir do tema desta edição da mostra: Trauma, Sonho e Fuga.

“Em vez do tradicional formato de palestra, com uma pessoa falando a uma plateia de espectadores, o seminário proporcionará momentos de trocas com a comunidade a partir de dinâmicas participativas. Teremos, assim, pontos de vista a serem debatidos e experimentados sensorialmente, tendo os três conceitos-chave que formam a linha narrativa desta Bienal como disparadores”, afirma a curadora e coordenadora do Projeto Educativo da 13ª edição da mostra, Germana Konrath.

No dia 23 de julho, excepcionalmente, ocorreram dois encontros do seminário Zonas de Contato. No primeiro, o educador Kaká Werá Jecupé falou sobre “A dimensão onírica dos povos da floresta”, abordando o conhecimento dos povos originários sobre os sonhos. À tarde, a artista Denise Camargo e o sociólogo Reginaldo Prandi promovem um diálogo com o tema “O universo mitológico e imagético dos rituais afro-brasileiros”, refletindo sobre imagens e mitos vinculados a culturas e religiões de matriz africana, como o candomblé, e sua relação com nossos traumas, transes, fugas e sonhos.

O terceiro encontro, no dia 27 de agosto, teve como convidados a coreógrafa Iaci Lomonaco e o artista inglês Tino Sehgal – que participou por videoconferência. No encontro, Lomonaco – colaboradora de Sehgal em diversos projetos – e o artista abordaram a cultura oral e a arte como prática de conexão, explorando os potenciais do corpo e métodos de interação que Sehgal desenvolve em suas obras.

Após o encontro com Sidarta Ribeiro, o seminário Zonas de Contato recebe a artista Nídia Aranha, no dia 22 de outubro, com fala “Corpo_soma | Tecnologia travesti”, e Antonio Pedro Goulart e Karin Grunwald, no dia 19 de novembro, com a oficina “Estados expandidos de consciência: trauma, tabu, fuga, reconexão e expressão artística” – confira os resumos a seguir.

O apoio cultural do Instituto Ling à 13ª Bienal do Mercosul contempla ainda a série de encontros Conversas de Cozinha – Bastidores da Bienal, realizada desde de junho de 2022, reunindo integrantes das equipes do Projeto Educativo, da produção, da arquitetura, da engenharia e da montagem do evento para abordar o desenvolvimento de propostas artísticas, desde a concepção até a execução e inserção na 13ª Bienal.


A 13ª Bienal do Mercosul é viabilizada pela Lei de Incentivo à Cultura, patrocínio master do Santander e patrocínio para o Programa Educativo da Crown Embalagens. A mostra conta com apoio institucional do Centro Cultural UFRGS e apoio cultural do Instituto Ling. Realização Fundação Bienal do Mercosul, financiamento do sistema Pró-Cultura da Secretaria da Cultura do Governo do Estado do RS. Realização da Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.


Serviço

Zonas de Contato – Seminário da 13ª Bienal

“Sonho e adaptação”, com Sidarta Ribeiro

Data: 17 de setembro de 2022 (sábado)

Horário: das 10h ao meio-dia

Local: Salão de Eventos do Instituto Ling (rua João Caetano, 440 – Três

Figueiras – Porto Alegre/RS)

Inscrições encerradas

Observação: o público será convidado a se movimentar, cantar e interagir em dinâmicas corporais propostas pelos ministrantes. Recomenda-se o uso de roupas e calçados confortáveis. Os participantes deverão levar suas almofadas, pois o encontro não irá dispor de cadeiras – salvo em casos de necessidade por questões de saúde.

Convidado da atividade

Sidarta Ribeiro é capoeirista, professor titular de Neurociências e um dos fundadores do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Tem interesse nos seguintes temas: memória, sono e sonhos; plasticidade neuronal; comunicação vocal; competência simbólica em animais não humanos; psiquiatria computacional; neuroeducação; cannabis medicinal; psicodélicos e política de drogas. É autor de mais de 100 artigos científicos e de seis livros, entre eles O Oráculo da Noite e Sonho Manifesto.


Resumos dos próximo encontros

22 de outubro, 10h ao meio-dia

Corpo_soma | Tecnologia travesti – Da puberdade sintética à evolução da espécie

Ministrante: Nídia Aranha, artista

O corpo é uma produção histórica, cultural e política, sempre em mudança. Portanto, não possui uma natureza transcendental ou universal, mas é uma materialidade provisória, mutável. Está sujeito às mais diversas transformações produzidas por diferentes tecnologias: jurídica, política, cultural, médica etc. “O corpo é uma falsa evidência, não é um dado inequívoco, mas o efeito de uma elaboração social e cultural”, afirma David Le Breton (2006). É plástico e relacional, pode ser feito e desfeito através do uso de hormônios, cirurgias, outras estratégias e uma série de modificações corporais pode ser realizada e ressignificada. A experiência travesti nos mostra que até a matéria molecular é temporária e artificial, podendo ser moldada através de diferentes tecnologias. Tudo é uma questão de doses, de hábito e miligramas.

19 de novembro, 10h ao meio-dia

Estados expandidos de consciência: trauma, tabu, fuga, reconexão e expressão artística

Ministrantes: Antonio Pedro Goulart e Karin Grunwald, facilitadores de respiração holotrópica


Mergulharemos no universo dos estados expandidos de consciência: sua história, potenciais, riscos, polêmicas e abordagens terapêuticas. Veremos como os estados expandidos de consciência, parte fundamental da cultura de praticamente todos os povos desde o início da humanidade, passaram a ser desprezados, temidos e vilanizados pela civilização industrial ocidental, até ressurgirem com grande interesse científico nos dias atuais. Em seguida, abordaremos o potencial terapêutico dos estados ampliados de consciência e sua relação com os diversos tipos de trauma, explorando o tabu que envolve essa temática e a ligação entre fuga e reconexão. Também falaremos sobre os cuidados necessários para criar um ambiente apropriado (set and setting) para o trabalho com esses estados de consciência. Em especial, apresentaremos uma abordagem de autodescoberta e terapia, segura e poderosa, que trabalha com estados expandidos de consciência sem o uso de substâncias: a respiração holotrópica. Por último, veremos a importância de integrar as experiências vividas nesses estados expandidos, aproximando-as do dia a dia consensual e concreto. Como proposta de exercício com o público, vamos oferecer uma atividade com meditação guiada e expressão artística para entrarmos em um estado levemente expandido para acessarmos aspectos internos da nossa psique, conhecê-los e expressá-los por meio do desenho.


Sobre a 13ª Bienal do Mercosul

A 13ª Bienal do Mercosul reflete sobre experiências coletivas nesta edição, que retoma formato presencial em 2022. O evento é assinado pelo curador-geral, Marcello Dantas, os curadores adjuntos Tarsila Riso, Laura Cattani, Munir Klamt e Carollina Lauriano e a curadoria pedagógica de Germana Konrath. Com acesso gratuito, às exposições, que incidem sobre o tema Trauma, Sonho e Fuga, pretendem proporcionar ensaios de imersão por meio dos sentidos e da percepção dos visitantes. A mostra, presidida pela empresária Carmen Ferrão, acontece de 15 de setembro a 20 de novembro em diferentes espaços de Porto Alegre.

Esta edição reconhece nos traumas – individuais ou coletivos – o maior combustível da arte de todos os tempos e entende os sonhos como um estratagema para a fuga. Assim, a vivência traumática coletiva, como é o caso da pandemia de Covid-19, impulsiona a criação artística para um novo território. O impacto no imaginário comum, por meio da ativação do onírico, dos sonhos e dos delírios, abre portas para o escape de uma condição imposta a todos nós. As exposições, com acesso gratuito, pretendem proporcionar experiências de imersão por meio dos sentidos e da percepção dos visitantes.


Sobre o Projeto Educativo da Bienal do Mercosul

Para a 13ª edição da Bienal do Mercosul, a equipe educativa organizou ações em diversas plataformas e formatos, de maneira estendida no tempo, a fim de promover a qualificação do ensino da arte e a construção de um pensamento crítico e criativo de modo continuado. Nesse sentido, foi antecipada a produção do material pedagógico Diálogos, endereçado a professores da rede pública estadual e municipal, distribuído via SEDUC e SMED para trabalho em sala de aula ao longo de 2022.

O seminário internacional Zonas de Contato ocorre em edições mensais, de julho a novembro, possibilitando que os encontros repercutam antes e durante o evento. De modo análogo, a série de encontros Conversas de Cozinha – Bastidores da Bienal espalha-se pelo calendário de junho a novembro, reunindo integrantes de equipes que trabalham no dia a dia da mostra para explorar os processos criativos, executivos e técnicos por trás das obras, a fim de desmistificar obras de arte enquanto produtos prontos e explorar seu viés processual.

Um Diálogo Sincero – Curso de Formação para Mediação acontece entre julho e setembro em parceria com o Centro Cultural da UFRGS e é voltado para estudantes e profissionais interessados em arte contemporânea, educação, cidadania e acessibilidade cultural que queiram fazer parte da equipe de mediação do evento.

A programação do Educativo inclui ainda ações como oficinas para públicos espontâneos e agendados, encontros com educadores, participação em projetos artísticos comissionados para esta Bienal e ocupações educativas por meio da articulação com outras instituições como a PUCRS, como a séria de bate-papos Diálogos em Transe.

O Projeto Educativo tem como atividade-base a mediação em todos os espaços expositivos da Bienal, seja para público espontâneo ou agendado. Visando ampliar o acesso, a Bienal oferece ônibus para transporte de turmas da rede pública escolar da Grande Porto Alegre aos espaços expositivos da mostra. Ao longo de 12 edições, o Projeto Educativo já realizou um milhão e 200 mil agendamentos escolares, produziu 298 mil materiais didáticos para alunos, professores e instituições de ensino e já formou mais de 2 mil mediadores. A 13ª Bienal pretende dar continuidade a esse que parece ser o grande legado do evento.


[informações para divulgação de instituições parceiras]

Nome do Evento: Zonas de Contato – Seminário da 13ª Bienal: “Sonho e adaptação”, com Sidarta Ribeiro

Tipo de evento: presencial

Data(s): 17 de setembro de 2022

Horário de início: 10h

Horário de término: 12h

Previsão de público:

Nome dos principais participantes: Sidarta Ribeiro

Contato da produção (e-mail e/ou telefone): Mel Ferrari (melodi@bienalmercosul.art.br / 51 99311-9251)

Temos recurso de acessibilidade? Qual?: Não

Inscrições gratuitas pela plataforma Eventbrite do Instituto Ling com link para acesso pelas redes da Bienal