ARTE URBANA

As obras de Arte Urbana estarão instaladas no Largo Moacyr Scliar, próximo à Usina do Gasômetro, na Travessa dos Cataventos e na Cúpula da Casa de Cultura Mario Quintana e pela Avenida Borges de Medeiros.

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Carlos Nader

São Paulo, Brasil, 1964. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

 

Entretecendo linguagens que vão do documentário clássico à videoarte, Carlos Nader é acima de tudo um ensaísta. Entre seus temas principais estão a questão da identidade, a sensação do tempo e a relação dos indivíduos com as câmeras em uma era midiatizada. Na obra apresentada nesta Bienal, o artista reflete sobre as imagens presentes nas redes sociais e as tendências narcísicas anunciadas com o advento da internet – hoje levadas ao extremo. Conforme o artista, à medida que avançamos na era da hipercomunicação digital, a história da humanidade vive um paradoxo inédito: quanto mais nos comunicamos, mais nos isolamos. Para furar esse isolamento, Nader ilumina a cúpula da Casa de Cultura Mario Quintana com o seu Farol de segredos. A obra consiste em um site através do qual é possível compartilhar, por escrito e de forma anônima, os segredos mais íntimos e importantes. Esses relatos são, então, traduzidos para o código Morse e transmitidos por sinais luminosos de um potente holofote.

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Gustavo Prado

São Paulo, Brasil, 1981. Vive e trabalha em Nova York, Estados Unidos.

 

Com a obra O Morador, Gustavo Prado propõe uma reflexão sobre como as cidades estão organizadas e devem ser alteradas para atender melhor às necessidades de seus habitantes. Composta por 27 portas de correr de alumínio, com adesivos vinílicos espelhados, a instalação articula uma experiência única para o corpo e para a percepção dos visitantes, bem como para a paisagem urbana na qual está instalada. Exercício de negociação entre o espaço e suas possibilidades, a obra cria uma espécie de labirinto controlado cujas portas podem ou não estar trancadas segundo uma programação predeterminada pelo artista. Ao serem constantemente realinhadas, elas são postas frente à frente, criando imagens infinitas que ampliam a percepção de distância e profundidade. O Morador cria um espaço em constante transformação, feito do que é material e do que é imaterial, de corpos e imagens, de trechos da cidade e seções que não é possível ver a não ser por frestas.

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Héctor Zamora

Cidade do México, México, 1974. Vive e trabalha na Cidade do México, México.

 

A obra de Héctor Zamora nasce como uma resposta direta às características dos prédios que compõem a Casa de Cultura Mario Quintana e que delimitam a Travessa dos Cataventos. A distância que existe entre as duas fachadas cria uma singularidade espacial. As varandas propõem um jogo de aproximação entre os dois lados, lembrando os varais e as roupas penduradas nas ruas e travessas de pedestres de muitas cidades ao redor do mundo, sobretudo em bairros populares. Esse tipo de varal põe em xeque as noções de privacidade ao exibir, de maneira involuntária porém consciente, as roupas de quem ali habita, colocando também questões acerca do anonimato de quem pendura sua intimidade. Zamora apresenta um conjunto de 21 varais que recebem lençóis coloridos pensados pelo artista como pinturas tridimensionais. Os tecidos pendurados criam jogos cromáticos com três tons. A obra de Zamora busca proporcionar uma experiência única aos passantes da Travessa dos Cataventos, propondo um momento de alegria colorida. Desta forma, faz um comentário político sutil ao opor o momento histórico a uma vivência emocional, oferecida al público, criada pelo jogo da luz, da cor e do vento.

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Túlio Pinto

Brasília, Brasil, 1974. Vive e trabalha em Porto Alegre, Brasil.

 

A poética de Túlio Pinto é marcada pelo uso de materiais industriais como aço, concreto, vidro, borracha e tijolos, com os quais o artista constrói obras que transitam entre a escultura e a instalação, explorando os conceitos de instabilidade e transformação, equilíbrio e tensão. O projeto Batimento, uma instalação em escala urbana, mistura características escultóricas, gráficas e pictóricas. O trabalho é construído a partir de um material industrial e ordinário chamado tela fachadeira, usado para isolar fachadas de prédios em obras ou em processo de restauro, com o qual Pinto confecciona grandes vetores de cor laranja. A tela demarca um percurso suspenso no coração da cidade de Porto Alegre, utilizando as estruturas das edificações como pontos de ancoragem e lançamento. O ritmo e o movimento do desenho urbano criado pela tela oscilam entre diferentes alturas e comprimentos nos seus vários trechos, escoando como um afluente pelo corredor da avenida Borges de Medeiros em direção ao Cais do Porto – um recorte do que poderia ser a representação gráfica da frequência cardíaca da cidade.